A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros
Salve o samba, queremos samba!
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz
Martinho da Vila e Martinalha
Neguinho da Beija Flor

Dona Dodo e Paulinho da Viola

Paulão, Zeca e Mauro Diniz

Credencial de Jamelão
Fotos: Ierê Ferreira


Fotos: Ierê Ferreira


Fotos Ierê Ferreira
Autor: Ierê Ferreira
Eu ainda vejo as horas
No relógio da Central
Da Gamboa, a Santo Cristo
O samba na pedra do sal
Negro, Jongo, Congo, e Candomblé
Capoeira tem axé!
No desfile principal!
Larga essa arma desce do morro
O samba te pede socorro
Vem erguer essa moral.
História da tia Ciata e João da Baiana
Beirando a estação Central do Brasil
O trem leva pra mais além!
Passa no vai e vem!
E traz outra informação!
Negro, acho que a poluição
Tirou da tua visão a historia dessa nação.
Tu construíste a melodia deste samba!
Tu costuraste a fantasia deste bamba!
Tu inventaste a bateria deste samba!
E a poesia que este bamba inspirou!
Hoje o censo te pergunta...
Tu és negro ou não é ?
Larga essa arma, desce o morro
O samba te pede socorro
Vem mostrar a tua fé.
Larga essa arma e desce o morro
O samba te pede socorro
Vem mostrar a tua fé.






Fotos: Ierê Ferreira
Ierê Ferreira
O galo de Neandertau cantou mais cedo
Despertando esse enredo
Estória pra não dormir
O preto homem da África
Saiu pra América
Sangue, correntes e marcas.
Viveu por não desistir
Sofreu sem querer chorar
Mil léguas a navegar
Nas terras do além mar
Depois do sol, tudo é terceiro mundo.
Hiroshima e Nagasaki ferro quente pra marcar
No primeiro pro segundo dia de revelar, que
Depois do sol tudo é terceiro mundo
Preto óleo do Egito terra a guerra faz rasgar
No segundo pro terceiro dia de revelar, que
Depois do sol tudo é terceiro mundo
Entre Gregos e Troianos
Judeus e Muçulmanos
Afegãos e suburbanos
Entra os Neo-Americanos.
Dominando sem pensar nas reações
Conseqüentes de exclusões
Da terra jamais prometida
Do pão jamais dividido
Amplificando o ódio e o rancor
Na carne que sente a dor
De não ter água pra beber
Inventando pra viver
Um novo jeito de amor.
Depois do sol, tudo é terceiro mundo.
Quem avisa amigo é até se mata pela fé
No terceiro pro quarto dia de revelar, que
Depois do sol tudo é terceiro mundo
Vejo torres desabarem
Plantar ópio faz girar
A vida naquele lugar
Depois do sol tudo é terceiro mundo
No quarto pro quinto dia de revelar, que
Depois do sol tudo é terceiro mundo.
O ar nebuloso, o sistema solar
Quem conta sabe o que quero falar
Depois do sol aqui é o terceiro mundo
No quarto pro quinto dia de revelar, que.
Depois do sol aqui é o terceiro mundo
Pois este é o momento de cuidar
Para que desta terra se faça brotar
Um amor maior que o mar
Pra todos alimentar
No quinto pro sexto dia de revelar, que.
Depois do sol aqui é o terceiro mundo
Pois amanhã é outro dia
E Deus precisa descansar...

Foto: Ierê Ferreira
|